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“Estórias de Arquibancada e Bar”
"Estória de Arquibancada e Bar"
peixe, pesca e o Peixe - “Curvaturas da vara ”

O peixe tem lugar cativo na história, não foi em vão que, até “milagre” de multiplicação fizeram com eles. A pesca, além de atividade econômica fundamental é valorizada como esporte, hobby, lazer e terapia. Ao morador da baixada santista deixar de conviver direta/indiretamente com os principais agentes da ação pesqueira, os pescadores, é algo impensável. Saber dos seus hábitos e práticas, da sua percepção singular do tempo e das estórias/histórias. Como em todo e qualquer ofício pode-se observar que há pescador e “pescador”. Aquele que se preza, seja profissional, ou, amador, mantém a sua vara pronta para uso. Existem aqueles que têm até uma coleção delas, por isso mesmo, jamais pescam com a vara alheia. Na medida em que ganham experiência, os mais conscientes cultivam a atitude de que tão importante quanto “dar (vender) o peixe é o ato de ensinar a pescar”. Eles relatam que a fisgada é percebida, no primeiro instante, na ponta da vara. E a reação do peixe, ao tentar se desvencilhar, gera um movimento denominado “rota de fuga”. Pelo tranco e a força de puxada na linha é possível prever que tipo de peixe foi fisgado, antes mesmo de que ele seja trazido à superfície. Havendo nisso, diferentes nuances entre os peixes de água doce e de água salgada.
No campo da educação: peixe, pesca e a curvatura da vara motivam ganchos e metáforas que permeiam as atividades pedagógicas. Tempos atrás, Demerval Saviani – filósofo e pesquisador da Educação - , inspirado na matriz teórica de um certo revolucionário histórico, descreveu os movimentos críticos da educação com base na “curvatura da vara”, onde os agentes envolvidos no processo, ora radicalizam para um lado, ora direcionam para o outro. Para frente ou para traz, são grandes os interesses que impulsionam os protagonistas. No comando da vara ficam duas potencias: o Mercado e o Estado. Para a primeira só interessam os peixes graúdos: robalo, pintado, namorado; aqueles que geram boa rentabilidade. Para a segunda, a obrigação do bem estar social: o bagrinho, o cascudo, a tilápia. Isto é, ao empresariado reservam-se as melhores chances do bônus; ao governo a garantia do ônus. Para qualquer lado que se movam, os peixes acabam por serem fisgados.
Colocando a prosa num atalho que leva à Vila Belmiro, onde reina o Peixe mais valioso do mundo. Lugar em que, numa hipotética analogia entre o segmento pesca e o futebol business, o processo acumulativo deveria apresentar resultados hiper rentáveis e contar com elevadas reservas, mas ao inverso disso, tudo faz crer que a coisa não caminha bem. Fato é, que o passivo financeiro do SFC causa enorme preocupação. A ponto de que, quem detém “o comando da vara” já ter buscado entendimentos com representantes do mercado para investir e, por conseqüência, usufruir também sobre os resultados da “pescaria”. Epa...Epa!!
Irritante e amarga é a coreografia que alguns atletas fazem ao comemorarem gols contra o Peixe, quando encenam o ato de pescar. O sentimento de repúdio e raiva motiva à sugestão de que a torcida santista em peso gritasse: - Senta na vara, ô gaiato!! Senta na vara!! De igual modo, ao se constatar esses rumores de parceria entre o SFC e a Traffic. Centrada na teoria do “ganha-ganha”, ou seja, negócios que aparentemente parecem ser bons para todos os lados; mas que no fim o prejuízo acaba sobrando mesmo é para a instituição, se torna imperioso para a torcida alvinegra, sócios e conselheiros ficarem vigilantes: - Um olho no Peixe e outro nos “gatos”. Pois, se as ações não forem no sentido do equilíbrio e da melhoria do clube e o time não corresponder dentro das quatro linhas, não há como aceitar a recomendação ao santista: - Tá nervoso, vá pescar! O que nos cabe é tomar “o comando da vara” e: - Sentar a vara neles!!
PS: Coluna dedicada ao destemido e exímio pescador alvinegro, Vanderlei Spinosa. No rio, no mar ou no mercado do Portinho, bons peixes ele costuma ir pescar/buscar. Alguns deles, ele diz que foi lá; outros diz que foi acolá. Como fotos e montagens não enganam quase ninguém, por ele ser santista, eu finjo acreditar.
Por Alvinegrode Ita

Escrito por Luiz Caetano às 23h29
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“ Sonho adiado” – de volta a rotina

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa uma boa média que não seja requentada, um pão bem quente com manteiga à beça.Um guardanapo e um copo d'água bem gelada. Feche a porta da direita com muito cuidado que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol. Vá perguntar ao seu freguês do lado qual foi o resultado do futebol. - (Noel Rosa e Vadico)...Lógico que os santistas mais apaixonados e ligados no SFC não assumem conduta similar ao do personagem do sambinha, de ritmo leve. Mas, cessada a caça à terceira estrela, na versão 2008. O time volta ao trivial, ao “café e ao feijão com arroz” do campeonato brasileiro. Precisa se recompor, com um novo técnico e os ajustes necessários, por exemplo, na cozinha: uma defesa mais sólida. No meio: com volantes mais atentos e capazes de melhorar a saída de bolas para servirem ao ataque, meias com talento e fibra para trabalharem a bola e produzirem constantes situações de gol. Funcionarem como garçons que entregam a redondinha pronta para as redes e também configurarem o fator “surpresa” nos chutes a gol. Aos atacantes: a presença de área, o oportunismo, a precisão nas finalizações. Se isso for posto em prática, o Peixe retomará o caminho de habilitação à busca da almejada estrela, ou seja, garantir vaga na Copa Libertadores 2009 e de quebra com mais um título nacional.
Laranja madura na beira da estrada, tá bichada Zé. Ou tem marimbondo no pé. - (Ataulfo Alves)...Pessoas que tenham o costume de freqüentar feiras livres hão de se lembrar que em outros tempos, nelas, era possível encontrar laranjas de boa qualidade, graúdas, em abundância e por preços acessíveis. Nas últimas décadas, a dinâmica e os interesses do agronegócio centrados na exportação alterou esse cenário. A qualidade da laranja disponível nas barracas caiu bastante, as melhores vão para o exterior. Coisa bem semelhante acontece no futebol business da gloriosa pátria de Braz Cubas e José Bonifácio. Bons jogadores e craques ficam na vitrine interna por bem pouco tempo. Tão logo o nome é projetado, uma junção de interesses os levam para os gramados do exterior. Aqueles que fazem sucesso demoram para voltar e quando voltam, na maioria dos casos, voltam no “bagaço”. Há que se registrar as raras exceções, exemplo de Zé Roberto, no Peixe em 2007. Mas, a maioria não corresponde. O mote da música vem à tona em virtude dos rumores ventilados em torno dos nomes de Cafu e Serginho, vindos de Milão, desembarcarem na Vila. Impacto de marketing sim, todavia o resultado prático e efetivo é algo muito duvidoso. Talvez, sirva para ampliar o currículo e as experiências do CEPRAF. Vale esclarecer que a avaliação ora levantada não é dirigida às pessoas, pois em qualquer tempo e espaço a pessoa humana é digna de respeito. Coisa diferente da apreciação crítica a que se submete o atleta, cujo desempenho deixou de contar com a agilidade dos reflexos, com o condicionamento físico necessário à movimentação tática e com o vigor da disputa.Talento, malícia e habilidade com a bola são importantes e interessantes sim. Isso eles ainda terão, são condições necessárias, mas insuficientes.
Os aspectos negativos desse cenário, volta e meia, provocam debates no sentido de estabelecer condições para que os bons jogadores permaneçam por maior tempo no mercado interno. A intenção, justa por sinal, é a de que os clubes e os torcedores brasileiros possam usufruir mais diretamente dos talentos que produz. O bater das teclas se remete para a aberração e insuficiência jurídica que era a antiga Lei do Passe; na seqüência para o sentido incompleto da Lei Zico e por último as incongruências da Lei Pelé; até o próprio ídolo que batiza a lei cobra aperfeiçoamentos, mudanças. Bem, que se reúnam os melhores juristas; que se convidem os representantes dos segmentos interessados: clubes, sindicato dos jogadores, agentes Fifa etc...Tentem aprimorar a legislação, mas nela sempre vai haver brechas e escapes. Pois, a lei de maior peso, aquela que determina e condiciona essa movimentação, é a Lei da Oferta e Procura. Podemos não aceitar e se indignar, mas é nela que “o jogo tem que ser jogado”; é ela que impera no futebol business, assim como no comércio das laranjas.
Notícias de bastidores dão conta que a instituição Santos FC vive duros momentos de desequilíbrio financeiro. Situação de ordem administrativa que interfere diretamente na qualidade do elenco e por extensão no ambiente interno e na motivação dos profissionais que por ela trabalham. Exigir e buscar melhor desempenho é tarefa das lideranças, mas buscar alternativas é tarefa de todos. Situação e Oposição devem apontar caminhos, torcedores conscientes ou alienados podem colaborar. A Timemania é coisa para longo prazo; Neymar e Jean Chera são ativos para médio prazo; de imediato há que se buscar receitas. De minha parte, tenho a sugerir que nesse campeonato brasileiro, o Peixe retome a alternativa de jogar diversas partidas no interior. Em São José dos Campos, em São José do Rio Preto, em Ribeirão Preto, em Bauru, em Presidente Prudente, intercalando com uma partida na Vila, isto é, a segunda, “em casa” seria numa das regiões de forte concentração populacional. Para a Capital ficariam os clássicos. Afinal, toda a santistaiada espalhada por esse mundão gosta de ver o Santos de perto, pois... Bola na trave não altera o placar, bola na área sem ninguém pra cabecear, bola na rede pra fazer o gol, quem não sonhou em ser um jogador de futebol?...A bandeira no estádio é um estandarte, a flâmula pendurada na parede do quarto, o distintivo na camisa do uniforme, que coisa linda, é uma partida de futebol. - (Samuel Rosa e Nando Reis).
PS: Estória dedicada a um jovem santista, muito jovem. Quem sabe daqui uns tempos estarei com ele no Orkut debatendo as coisas do Peixe. Ele vai me chamar de velho e velho serei, mas sei que de velhaco nunca, porque o pai dele é um santista de boa estirpe. Seja bem-vindo Felipe Coser, atualmente o teu time não vai bem não, mas é o Santos, carinha, e o Santos é o SANTOS FC!
Por Alvinegrode Itá

Escrito por Luiz Caetano às 00h20
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Momentos críticos – Crítica acrítica à crítica

As duas últimas partidas do nosso Santos FC foram carregadas de momentos amargos e angustiantes. Na noite de 22/05, na Vila, jogando pela Copa Libertadores, o Peixe venceu o América do México por 1 x 0, infelizmente, o placar foi insuficiente para reverter a vantagem do time asteca, pois no jogo de ida eles fizeram 2x0. Situação semelhante à vivida no ano anterior, quando mesmo vencendo o Grêmio, também em casa por 3x1, o Peixe acabou não avançando na competição. Noites de insônia para a galera santista; ressaca e dissabores para quem abusou do desabafo etílico. Motivos, razões e críticas pela derrota jorram de todas as fontes: “Se em 2007 faltou um matador. Lá em Porto Alegre a defesa vacilou em lances capitais (Ávalos e Adailton), o time jogou sem demonstrar fibra; o técnico escalou mal; o presidente deixou de contratar, a diretoria não atuou nos bastidores; a arbitragem errou contra o Peixe”. Bem, sobraram responsabilidades e culpa para todos os lados. Em 2008, o matador estava em campo, o técnico foi trocado. Estilo diferente, cobranças com maior rigor; mas as falhas continuaram a acontecer e a arbitragem resolveu redobrar a margem de erros contra o time alvinegro. A grande maioria da torcida santista percebeu tudo isso, sofreu com isso. Que ninguém ouse atribuir culpa a ela que nos momentos decisivos apoiou o time. Lotou a Vila. Como se vê, múltiplas são as causas, cortina de fumaça só faz quem quer. Se, na dimensão administrativa deixam de ser cumpridas ações básicas, os reflexos acabam por se traduzir dentro das quatro linhas. Grandes vitórias e títulos só se forem por obra do acaso...O vexame no Mineirão, 0x4, diante do Cruzeiro mais que indigesto, foi indigno, mas num cenário de baixa estima e abalo psicológico em todo o elenco, o péssimo desempenho até que se explica, muito embora não se justifique.
Resta tocar em frente, recompor a história é imperioso. Um desafio que a instituição SFC do alto dos seus 96 anos já superou em épocas passadas e uma vez mais há de retomar o brilho e propiciar alegrias para os alvinegros de todos os costados. Em meados da década de 60, mais precisamente em 1966, o Peixe com um dos seus melhores times, também, tomou um sacode lá no mesmo Mineirão (2x6), e depois aqui no Pacaembu também, perdeu (2x3). No ano seguinte, durante o campeonato paulista de 1967, o Santos vinha pontuando bem, mas sem grande brilho, o que ensejou aos críticos da imprensa paulistana a anunciarem que o time de Pelé e cia “cantava o canto do cisne”, era o princípio do fim. Para desalento e desgosto deles o Peixe reagiu e no apagar das luzes, últimos jogos, acabou tirando o título do Tricolor do Morumbi. Na época, um dos maiores críticos da imprensa esportiva era o Geraldo Bretas, um comentarista da Rádio Tupi, equipe 1040. Ele era o porta-voz principal das críticas para cima do Peixe. A bronca dele aumentou, dado que era são-paulino e na temporada de 1968 lá estava ele novamente de plantão a desancar o Santos FC. No jogo de estréia na Taça de Prata, o campeonato brasileiro da época, o Peixe foi mal, derrota diante do Atlético do Paraná, 2x3. Geraldo Bretas de modo implacável sentenciou: - Pelé está quase parando...o Santos está acabando. E então, La nave foi...rodadas e mais rodadas. O Peixe entra na disputa da fase final. Vitória pra cima dos Porcos, 3x0; vitória sobre o Internacional, 2x1 e no último jogo, 2x1 diante do Vasco. Termina a partida, um repórter de rádio bota o microfone da boca do fabuloso camisa 10: - Pelé, o que você tem para dizer depois de conquistar mais um título? – Esse titulo eu dedico a um certo comentarista que acha que sabe tudo de futebol, que vive dizendo que o Santos acabou. Tái a resposta!
Os tempos são outros, o cenário é ocupado por outros atores, diga-se de passagem, que até a trama tem outro viés. Isto é, não é um esquadrão que vive uma curva descendente. Tampouco, cabe ao torcedor que viveu as duas épocas usar o passado para fomentar críticas no presente. Rememorar a histórica não implica em saudosismo, mas, sim na tentativa de, em face dos erros atuais, buscar soluções que outrora geraram resultados positivos. Exercitar a crítica é algo válido e de direito a todos, mas que o embasamento seja coerente, lúcido e construtivo. Indignação e revolta, acho que todo santista sente. Principalmente, quando o time é prejudicado por um gol anulado, um pênalti não marcado, uma falha grotesca da defesa; uma boa oportunidade perdida pelo nosso atacante. Não é fácil assimilar a derrota e a perda de uma taça. Tudo mundo sabe que isso acarreta em prejuízos financeiros e na queda de prestígio, os responsáveis devem responder por isso e a continuidade administrativa deve ser objeto de avaliação. Ainda que tivéssemos a conquista de troféus e títulos, um mau desempenho financeiro e o desequilíbrio administrativo são fatores que levam ao descrédito qualquer gestão. Coisa que requer mudanças. Em todos os tempos, em todo em qualquer ambiente democrático.
Se, a referência principal é a de que prevalece a pluralidade de opiniões e que os angustiados santistas têm o direito de se manifestar, sejam sócios ou não, entendo que o momento é crítico. E as críticas são normais; mas não numa linha de “jogar pedra em avião”; ofensas pessoais; generalizações absurdas; conduta sistemática ou defesa do princípio de terra arrasada. Diálogo franco, levantamento de alternativas concretas, ações saneadoras permeiam aquilo que pode ser o melhor para o Santos FC. Dá-lhe Peixe!
PS: Coluna dedicada a um santista que é economista, trabalha na empresa que é a maior fabricante de aviões da América Latina. Rigoroso nas palavras e amargo nas críticas, um tanto quanto irônico “de vez em sempre”, mas é autêntico e direto no ponto. Pode-se discordar dele no estilo e até mesmo no mérito em alguns casos; mas, jamais duvidar que ele seja fanáticO peLo Peixe e por loiras (as quentes e as geladas). Descrevi “ o milagre”, dispensa-se o nome do santo.
Por Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 22h38
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"Estória de Arquibancadas e Bar"
“Os fins justificam os meios?” – Pela bandeira que ensina...
Os últimos tempos têm sido de pouco bar e nenhuma arquibancada. Compromissos educacionais impedem o cultivar da paixão SFC em maior proximidade, por isso as estórias escasseiam e o universo da bola é trocado pelo vivenciar de “verdades” acadêmicas. Ao invés de ver pernas correndo atrás da bola, o olhar se dedica às belas pernas de donzelas nas carteiras; enquanto os ouvidos ficam atentos aos conceitos. Mas, o jogo da última quinta-feira do Peixe, frente ao América, mexeu com os nervos, o coração e a curiosidade deste santista. Lá no México, a bola rolando, em sala, os “craques” citados eram o chileno Matos, o brasileiro Bresser Pereira e o florentino Nicolau: - “Olho na aula e ouvido no Peixe”, ouvido em termos, dado que num prédio, aula em andamento, o sentido estava antenado nos tipos de barulhos que vinham da rua. Fogos, foguetório... No pensamento, gol do Peixe? Ou será que algum gambá ou bambi está comemorando gol dos cucarachos?
Com dúvida e muita ansiedade, mas centrado no debate “reforma” do Estado e modelos de gestão pública, tentava apreender os comentários e ponderações a respeito da máxima: - Os fins justificam os meios - Será que o Nicolau disse/escreveu isso mesmo? Em que contexto? Buscando explicitar que realidade?? A discussão tomava contornos de torcedor que pouco liga se um gol de mão validado pelo árbitro tira o sabor da vitória e outros questionamentos. Se, o Bope invade a favela atirando e aterrorizando a todos, em casos que vitimam até crianças e os crimes e assaltos giram na casa da centena de milhares de reais; porque nos gabinetes e nos escritórios, onde a bandalheira atinge cifras de milhões de reais, dólares e euros as ações têm que ser comedidas e feitas conforme define o estado democrático de direito? Até que ponto a busca da “ordem e da paz social” justifica meios arbitrários, truculentos? A força ética do Estado está no força do Direito ou no direito da força? A curiosidade em saber de quem tinha sido o gol impedia-me de uma melhor concentração e a tentativa de racionalizar sobre o assunto em pauta, ainda assim registrei a intervenção de que a frase deveria ser analisada sob o prisma de cada situação em foco: Se em Florença, aqueles tempos eram de conflitos políticos e de confusão social, o direito romano ainda germinava e a filosofia política aplicada pelo Nicolau tinha outras referências e pelo pouco que sei, ao sentido de “justificam” ficaria mais apropriado o termo “determinam”. Bem, a discussão se alongava e a minha contagem dos minutos restantes para sair do prédio e ir direto ao bar mais próximo para assistir o final do jogo havia chegado a zero.
Mal ocupei lugar no bar e pedi o café, olhos na tv. Eis que num lançamento daqueles à média distância, o gordinho Cabañas invade a área e fuzila. PQP!! Segundo gol dos mexicanos, olhei para um lado, olhei para o outro e silêncio total. Chocado, ao constatar a dupla desvantagem indaguei ao garçom: - Putz, a viola está em cacos. Mas, porque soltaram fogos no primeiro gol ? Pensei que tinha sido do Santos. O Ramon respondeu: - Ô santista, aquilo foi o aviso de chegada de mercadoria. Tem farinha nova na área. – Ah! Sim. Dali em diante, a minha torcida era a de que o Peixe fizesse ao menos um gol e lógico não tomasse outro, senão... Na medida que acompanhava os lances, calculava sobre as ações tomadas pelo Leão no decorrer da semana. A divisão do elenco, a base titular viaja antes, os reservas pegam o Mengo. Putz, ferro ali, ferro acolá ! Será que todo o cuidado e a prevenção com os jogadores justificaram esses resultados? E então, a viagem antecipada para descanso e treinos foi tão significativa assim?? Será que manter o conjunto e a pegada jogo a jogo, não é o melhor para o time? Essa história do atleta ficar reclamando do tempo perdido no avião e nos aeroportos tem qual peso? Toda a modernidade e o investimento na preparação física para quê?? Enfim, são meios que determinam fins e enquanto o jogo rola, lá estou na fé pelo golzinho do Peixe. Quase no apagar das luzes, eis que numa jogada nascida pelo meio, nosso “matador”, de modo lícito cumpre com o seu dever de ofício e objetivo fim: bola às redes. Goooool! Vibração seguida de frustração, pois, o assistente, de bandeira em punho, de forma injusta e equivocada indicou impedimento. Putz que lá vai Prudente, - Não há qualquer meio que justifique, para nós santistas, tal fim!
PS: Essa estória por certo não termina aqui: Tomara que na próxima quinta-feira os deuses da bola façam “justiça esportiva” e pela bandeira que ensina os atletas do Peixe uma vez mais virem o placar. Nossa história está repleta de exemplos, não é mesmo!!?? Daí, poderemos evocar um certo mineiro, bom de palavra e prosa que escrevia: “- No fim tudo dá certo, se ainda não deu certo e porque não chegou no fim" , Fernando Sabino. Avante Peixe!
Por Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 00h00
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Despedida de um santista – De Aranha, aranhas e cobra –

Santista de boa estirpe, o baiano Nelson Santana “provocou” mais um encontro de alvinegros. No último sábado, 26/04, ali na Ponta de Praia- Santos. Profissional experiente pode-se afirmar que ele é um verdadeiro “cobra criada” no ramo de transporte de cargas da aviação comercial; KLM e Delta Air Lines constam no currículo, além de importantes relações em outros segmentos. Esse alvinegro de corpo e alma trabalhou muito tempo na capital de São Paulo e nos últimos anos prestava serviços no Rio de Janeiro. Agora, escalado para voltar à gloriosa Salvador, houve por bem, programar um bate-papo de despedida entre santistas. Coisas que os nobres alvinegros tanto apreciam. De peripécias sociais e aventuras mil, o Nelson, que se diz bom churrasqueiro e fã de Itaipava; cumpridor da palavra dada chegou no horário previsto e, enquanto aguardávamos os demais, ele relatou ao Alvinegro de Ita dois breves episódios, vividos nos últimos tempos.
No Rio de Janeiro, Ilha do Governador, relata ele que, num domingo pela manhã, envergando o manto do Peixe adentrou num supermercado para comprar ingredientes complementares para um churrasco. Já na fila, um tanto extensa, eis que um carioca esperto, com a camisa do Flamengo, resolve tirar uma onda com o Nelsão: - Olha lá filhão! Aquele cara com a camisa daquele time que é nosso freguês. Antes, de o Nelson disparar um dos seus costumeiros torpedos verbais, o garoto emenda: - Mas, pai aquele é o time do Robinho, eles vivem ganhando da gente; eu gosto do Santos, pai. A fila toda caiu na gargalhada; sorrindo Nelson cumprimentou o pai e o garotinho: - Tá vendo meu chapa? Tivesse só admirado a camisa e nada falasse teria evitado essa. E saiu à francesa.
Antes que o sempre cordial anfitrião Felipe Haidar Neto chegasse, para atualizar informes dos bastidores santistas, comentou-se também sobre a decisão do Paulistão. Embora as chances estejam mais para o lado dos Porcos, opinei que talvez, a Macaca conseguisse surpreender, pois o técnico Sérgio Guedes vem fazendo um bom trabalho e o goleiro é muito bom. – Quem é esse goleiro? Perguntou o Nelson. - Aranha, respondi. O baiano alvinegro deu risada e comentou. Esse nome faz me lembrar duas coisas: a primeira do Yashin, aquele goleiro russo que tinha o apelido de “O Aranha Negra” e a segunda uma aventura que passei em São Paulo.
- Foi naquele sábado em que o Santos ganhou do Juventus por 2x1, em 2006. Pacaembu lotado, com chuva, virada e tudo, onde o Peixe deu o salto para o título. Após a partida, com um grupo de amigos, fui comemorar num barzinho no bairro do Sumaré. Animação, muita bebida, zoeira total, música e mulher. Tomei todas e mais um pouco e comecei a flertar com uma loirinha, que não sendo do grupo, acabou por se enturmar. Foram horas de cantada e canseira no ouvido da garota, que informou ser bióloga recém-chegada de Roraima. Para criar um clima falei que era estudioso e apreciador de aranhas, um certo tipo de aranha. As horas já eram altas e não só elas, quando soube que a “caça” chamava-se Juliana e estava hospedada num apartamento ali perto. A tia havia ido para Campinas e ela estava sozinha, coitadinha. Dali foi um pulo para convencer a dócil bióloga a contemplar o conquistador santista com um fechamento de noite triunfal, a sós. E lá no “ap”, rolou o que de melhor pode ser ofertado a uma fogosa aranha. Adormeci e fui acordado pelo barulho do chuveiro; Juliana ao banho. Além disso, senti os movimentos de alguma coisa gelatinosa e fria tentando se enroscar em um dos meus braços, abri os olhos e deparei com um filhote de jibóia. !!!!!!!!!! PQP, fiquei sem fala, dei um salto da cama e sai correndo. Mal pude ouvir as explicações da Juliana para que nada temesse, pois a cobra era o seu bichinho de estimação, inofensiva. Vesti a roupa rapidinho e me mandei. Uma saída a galope.
Bem, acho que a experiência colhida nessa aventura explica a mudança de tática do nosso amigo na abordagem ao público feminino. Primeiro, ele esclarece a profissão e depois vai direto ao ponto. Exemplo disso aconteceu na última vez que esteve em Santos, no ano passado, lá no Bar do João, ao lado da Vila Belmiro. Quando a garçonete se aproximou, o Nelson perguntou: - Você é mesmo garçonete? Escuta aqui, além de você o que de bom nós temos para comer?
PS: Coluna dedicada a um santista que optou pelo bom viver soteropolitano e deve fazer par com o Nelson Santana lá na boa terra. O Ministro Veiga, Jaime. O que essa dupla vai caçar de aranhas por aquelas bandas... Vale lembrar também, um outro baiano que fez furor no Rio e em São Paulo, de raro talento e instigante pensar, o inesquecível Raul Seixas. Sinceros agradecimentos ao Haidar e bom retorno ao Nelson Santana. Por aqui ficaremos com pererecas... Cordiais abraços e Avante Peixe!
Por Alvinegrode Ita

Escrito por Luiz Caetano às 00h06
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"Estória de Arquibancadas e Bar"
“ Tocando em frente...– no coração e na mente - ”
Quando os olhos fitam aquelas camisas brancas, os atletas abraçados em comemoração a mais um gol...Quando nos estádios a torcida em peso, numa seqüência, semi orquestrada gira e agita nas mãos as camisas...Quando o forte grito ecoa e o coro uníssono se repete: Saaaaanntos... Saaaaanntos... Saaaaanntos... Saaaaanntos... Todo e qualquer coração alvinegro praiano pulsa mais forte, vibra com mais intensidade. Na mente do torcedor, seja qual for a sua idade, uma lenda de 96 anos – completados ontem – se renova, se reinventa. Parabéns Santos Futebol Clube, glórias mil Peixe!
No desfecho da primeira competição do ano, quem deu a bola não foi o Santos. As expectativas voltam-se agora para o futuro: a Copa Libertadores, o Campeonato Brasileiro e (toc.toc.toc) tomara, a Copa Mundial de Clubes. Na condição de torcedor, o santista projeta e sonha com a caminhada aos títulos. A adrenalina, antes dos jogos decisivos mobilizará a comunidade alvinegra, seja nos estádios, quer seja nos bares ou no conforto do sofá. É muito normal que o choque entre gerações venha à tona, afinal ao jovem não pode ser exigido que tenha como padrão um comportamento ponderado e equilibrado, que cultive os ídolos do passado com a mesma intensidade com que vê e admira os ícones do seu tempo. Tampouco, aos coroas alvinegros que se rendam aos pretensos encantos do presente e deixem de lado a memória e a admiração pelo talento e a magia do passado. Cada um na sua, cada um ao seu jeito, é Santista, integra a Santistaiada. Aquele que compra um produto licenciado em Pato Branco/PR, em Pederneiras/SP, em Goiânia/GO ou na Vila Mathias em Santos, mesmo sem ser sócio está contribuindo com a instituição. Vibra, comemora e sofre com o time como qualquer um. É livre, independente e soberano na sua forma de amar o Peixe e também para palpitar nas coisas que envolvem o seu time do coração.
Se no torcer pelo SFC pesa mais o coração, no acompanhar e filtrar a dinâmica do clube, o fator preponderante é a consciência. Voltar o olhar para os noventa e seis anos da instituição implica em exercitar o senso crítico. Mais do que correta é a conduta que não se deve deitar sobre o berço esplêndido e os louros do passado. É para o futuro que devem ser movidas às atenções e as ações. Justificar que um dirigente conquistou isso ou aquilo, que deu sorte aqui ou acolá e descartar os pontos centrais e indicadores que norteiam a correta avaliação de uma administração. Alegar reformas cosméticas ou comparações com outras gestões, sem vislumbrar que é a construção de tantos outros anos que está em jogo é no mínimo uma sandice. Uma coisa líquida e certa nobre santista é o respeito democrático a sua condição de alvinegro praiano; outra bem distinta é o salutar exercício do debate, do conflito de opiniões. A verdade não tem dono, ninguém erra e insiste no erro simplesmente pelos ditames da intencionalidade. Infelizmente, o engendrar de coisas danosas a qualquer instituição se instala e o processo degenerativo foge ao controle daqueles que querem o poder pelo poder. O tranco precisa ser dado, a ruptura precisa ser feita. Por quem? Como? Quando? É uma questão de tempo, a cidadania santista precisa cobrar e avançar. Por mais que a data mereça ser exaltada e que seja justa a comemoração, tais coisas não podem negligenciar a reflexão e o pensar de que chegar aos 96 anos de vida é dadivoso. Tocar em frente e ampliar conquistas é um desafio de todos. O Santos é eterno, o Santos FC.
Que à missa, ao baile, ao soltar de rojões, aos eventos e homenagens tantas seja acrescida a estrofe de um bardo ao dedilhar da viola, que vai tocando em frente:
- “Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs, é preciso o amor pra poder pulsar....
Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, e ser feliz”.
PS: Pela data e pelo teor torna-se dispensável pensar em qualquer outra dedicatória na presente coluna. Parabéns Peixe! Sempre avante Santos Futebol Clube!
Escrito por Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 00h15
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"Estórias de Arquibancada e Bar"
O último ponta...O consultor em xeque
Lima, Zito, Haroldo, Ismael, Modesto e Gilmar.Toninho, Mengálvio, Coutinho Pelé e Pepe
Desafio - quem são os jogadores que formaram esse esquadrão?
Mais um jogo na Vila, Santos x Grêmio, junho de 2007. O convite era irrecusável, assistir na tribuna de honra, bastava informar o nome na portaria que o acesso estava garantido. O Alvinegro de Ita chegou em cima da hora, ao entrar na tribuna lá estavam, o amigo Diógenes, um diretor do SFC e dois senhores estrangeiros. Ouviam o hino nacional, sérios e perfilados. Impossível fazer apresentações, breves acenos e cumprimentos. Os jogadores se distribuíam pelo gramado, enquanto isso o Diógenes falou: - Senhores, esse nosso amigo é um consultor. Consultor em Santos Futebol Clube. Vai nos ajudar a entender o jogo. Opa!! Que dureza, pensei eu. Vamos à ficha do Diógenes Joyce Ribeiro de Allencastro: Colega de juventude e parceiro de desafios vestibulares do Alvinegro de Ita. Ele conseguiu, ingressou no Instituto Rio Branco, fez carreira no Itamarati. Embaixador aposentado, radicado em Londres, lá presta serviços, em alto nível, para uma multinacional do segmento do turismo. Hábil poliglota, domina mais de oito idiomas, extrovertido e de pensamento refinado sempre teve simpatia pelo Peixe, mas gostar mesmo de futebol não chegava a tanto. Dele, nos tempos de estudos, recordava-me da sua ampla estante, onde uma pequena e artesanal lanterna se destacava e também do seu belo cão, Argos. Diógenes estava no porto santista, devido a uma escala do cruzeiro que fazia pela costa sul-americana. Creio que motivado pelo afeto e gentil lembrança, resolvera convidar o humilde santista a acompanhar a partida junto aos seus companheiros de viagem. Pesou, um pouco o fato de que, na opinião dele, o escriba entendia um pouco de futebol. Talvez, para ele, ser santista tenha esse paradigma.
Como os movimentos iniciais da partida foram de passes laterais e nenhuma emoção, Diógenes consultou: - Que informações preliminares você tem para eles? Diga para eles que o Santos, na história do futebol mundial é o time recordista de gols, mais de onze mil. E que no século passado foi considerado pela FIFA “O Campeão das Américas”, respondi. Logicamente parti do pressuposto, que outras informações básicas a respeito do clube e de Pelé, meu amigo já tivera ilustrado aos honrosos espectadores. Dali em diante observei que os dois senhores conversavam muito entre si, um era alemão e o outro chinês. Vez por outra, pediam um comentário do Diógenes. Gesticulavam bastante e faziam desenhos imaginários com os dedos na medida que as equipes se movimentavam em campo. No meu canto, a torcida era para que os gols acontecessem, do Peixe é óbvio. Confortava-me a lembrança do palpite que tinha lido no site, dado por um certo santista lá de Epitácio, Santos 4x1 (ele sempre acerta). Daqui a pouco a rede balança. Mas, o primeiro tempo se foi e nada do grito da galera. No intervalo, o diretor santista centralizou a conversa e tecia loas à capacidade do professor Luxemburgo. Aguardem só, ele vai mexer na equipe. Deve sair do 3-5-2 e colocar mais um atacante para furar o bloqueio armado pelo Mano Menezes. Um homem de ofício para fazer gols. Nessa frase, o Diógenes aproveitou a deixa e, antes de traduzir, emendou: - O Alvinegro, o que significa exatamente “homem de ofício no futebol?” Esclareci: - Tem relação com a posição em que o atleta desempenha na equipe, no campo de jogo. Geralmente, desde a sua iniciação como jogador de futebol ele se especializa em jogar numa determinada posição. Por exemplo, o goleiro; o lateral; o zagueiro; o volante, o centroavante. Rapidamente, ele repassou a minha fala e constatei que os dois senhores ficaram pensativos, aparentemente assimilaram bem o conceito.
Veio o segundo tempo e o jogo se arrastando, os times compactados em campo, com raras iniciativas ofensivas, bola mais pelo meio das intermediárias, ataques inoperantes e raras chances de gols. Mas, o alemão e o chinês não paravam de trocar avaliações entre si, a cada movimento da bola, a cada deslocamento dos atletas. Pareciam fazer a leitura imediata do jogo, como repetem à exaustão os radialistas. Frustrado com a falta de gols, quando o juiz apitou o final, a angústia que me movia era despedir-me, sair de fininho e nem pensar em teorizar sobre um jogo sofrível como aquele. Ledo engano, o amigo Diógenes informa que os visitantes haviam gostado dos meus breves pitacos e faziam questão de que os acompanhassem até o transatlântico para que eu pudesse explicar o porquê do 0x0. Putzgrilla!! Que encrenca, pensei. No caminho, a conversa esteve voltada mais para as referências turísticas do cenário local. Em silêncio, eu aproveitava para montar o “quadro teórico”: Pensava num amigo blogista, um vibrante santista que cursa jornalismo e vive a enaltecer o Cláudio Zaidan, em comparações com o Mauro Betting, ele faria isso bem melhor do que eu. Cogitei, eu começo traçando o perfil do Mano Menezes, depois o do Vanderlei Luxemburgo. Exponho as opções táticas que eles costumam empregar, do 3-5-2; da linha de quatro. Falo da preocupação defensiva e da pouca ousadia nas variações que tentaram aplicar durante o jogo e fecho com o excesso de jogadas pelo meio que predominou nos noventa minutos. Pronto! Beleza! Depois a conversa envereda pela política internacional, manifestações culturais relevantes, agenda ambiental, etecetera...
Mal foram servidos os canapés e o vinho gelado, ainda impressionado com o luxo e o requinte do ambiente articulava-me para iniciar a intervenção. Os, agora, anfitriões mostravam ansiosos para me ouvir. Antes, porém, o Diógenes, como intérprete e tradutor, me advertiu: - Meu amigo, permita-me informar que esses senhores são membros de um Núcleo Global de Estudos avançados em Pesquisas de Engenharia Espacial e também Conselheiros vitalícios nos Departamentos de Estratégia e Defesa dos seus países. Pelo que me disseram, compreenderam claramente o jogo em si e já esmiuçaram “n” variáveis que implicaram no resultado final. O que eles querem saber é por que o seu Santos, o recordista mundial em gols, ficou no zero? Glup, glup, o gole de vinho engasgou. Toda a minha montagem expositiva fora por água abaixo, ou melhor, goela. Para ganhar tempo, tomei mais um gole e levei um petisco à boca. E agora? Senti-me como se num lance de xadrez eu tivesse movido, em ataque, um dos bispos e o adversário além de capturá-lo, tivesse me colocado em xeque, com o sério risco de que, no movimento seguinte, levar também a minha rainha. Vislumbrei o tabuleiro e como salvação recorri às torres. Pensei nos ataques fantásticos do Peixe, na máquina de fazer gols. Nas múltiplas assistências pelos flancos e optei por relembrar/reinventar os pontas. Aqueles fabulosos camisas 7 e 11 de ofício que ajudaram a construir a peça épica chamada SANTOS FC.
Então, comecei: Bem senhores, no jogo de hoje o SFC deixou de contar com Kléber (Carlinhos é que tinha ido para o jogo) ele é um lateral/ala que atua pelo lado esquerdo do campo e é quem cria as melhores alternativas ofensivas, além do que os atacantes (Wesley e Moraes foram os titulares) não exploraram a construção de jogadas pelas pontas. Grande parte da história dos onze mil gols foi construída pelos flancos, pois, outrora existia a “função de ofício” ponta. Seja pela esquerda ou pela direita, ao longo da trajetória, o Santos contou com Tite, Pepe, Dorval, Abel, Edu, Peixinho, Manuel Maria, Nilton Batata, João Paulo, Zé Sergio. Eles eram especialistas. Com eles em campo, era muito raro o placar ficar em branco. Nos tempos recentes, a evolução tática do futebol praticamente tornou extinta essa função, o mais comum é os chamados “alas” desempenharem esse papel. As equipes optaram por jogar com dois atacantes e quando um deles é dotado de habilidade e visão tática faz isso com freqüência, por exemplo, o Robinho, que oscila suas ações, ora pela direita ou pela esquerda, mas ele não é propriamente um ponta. O último ponta ponta que vi jogar no SFC costumava romper esses ferrolhos. Descia com velocidade, driblava bem e surpreendia as defesas adversárias com oportunismo e faro de gol. O nome dele é Alessandro, comemorava seus gols com cambalhotas, jogava com alegria, foi ele o último ponta...
Acho que por ter citado personagens a eles desconhecidos e introduzido um elemento novo na conversa, os experts estrategistas aceitaram a minha exposição sem questionamentos. Apenas formularam a indagação de estranharem que não seja retomada a readaptação e o preparo dessa função nos atletas iniciantes. Considerei que essa é uma boa sugestão para os treinadores de base. E por curiosidade, solicitei ao Diógenes que me informasse quais eram os nomes dos nobres senhores. O amigo, diplomaticamente, se desculpou e disse: - Na realidade você acerta, Alvinegro de Ita, a ascendência é deveras nobre, eles são, o Sun Tzi e o Karl Von Clausetwutz.
PS: Por uma questão de seqüência lógica, em relação à da semana anterior, essa coluna é dedicada ao grande santista baiano Nelson Santana. O Alvinegro de Ita não passou no vestibular do Instituto Rio Branco, dentre outras coisas, pela incapacidade de dominar a língua gaulesa. O Nelson é bom no francês, faz um curioso bico para falar que só vendo.
Por Alvinegro de Itá

Escrito por Luiz Caetano às 00h08
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"Estórias de Arquibancada e Bar"
“As uvas, a raposa e a verde grama ”

Vamos ser Tri Santos vale agora para Copa Libertadores, ao Paulistão versão 2008 sobram às intervenções dos internautas alvinegros em torno da partícula “SE” que funciona como vetor de análises e justificativas para os amargos resultados colhidos pelo caminho, em especial no início do campeonato. Coisa que se repete em comparação ao último campeonato brasileiro, onde o Santos FC colocou em prática o “estilo Robin Hood”: - Entregar pontos aos times da parte de baixo da tabela e faturar em cima dos mais bem pontuados, deixando escapar a chance de conquistar o título.
Ao time que ostenta o escudo federativo com Bi validade, não fica bem a moral do conto de “ A raposa e as uvas”. Afinal, mais um Tri na galeria ate´que seria um belo “cacho de uvas doces e maduras”. Ainda mais pelo significado que a conquista tenderiam a projetar. O elenco ganharia moral e elevaria a auto-estima para as futuras competições; por outro lado fica a vantagem de que a partir dessa semana, o time se volta a um único foco de disputa. Hoje, mesmo que as condições objetivas apontem num sentido inverso, aos santistas importa torcer e fazer valer a máxima de que o futebol é capaz de apresentar boas surpresas e que o elenco do Peixe assuma o espírito de disputa da Libertadores. Que veja na competição a oportunidade de consagração, fazer história e deixar bem gordo o saldo da conta-corrente.
As competições regionais que abrem a temporada do futebol brasileiro, mais do que troféus e taças se constituem em etapa de composição de elencos, adaptação de grupos, ajustes e afinações dos times, onde as avaliações e comparações são corriqueiras. É um tal de se botar o olho no gramado do vizinho (s). Onde a grama está mais verde? Será que isso é garantia de título? No caso do SFC, se o olhar estiver voltado para a engrenagem administrativa e as conseqüentes ações de causas e efeitos, o sentido tem que de ser de sobriedade, de senso crítico e correção dos pontos falhos. Se a visão estiver obscurecida pelo ufanismo e a bajulação, a tendência é a de que a grama além de verde seja florida, o que é péssimo para qualquer instituição, seja de que ramo for. Isto é, se por um lado achar que “ a grama do vizinho é mais verde”, o contraponto não implica em afirmar que “a nossa grama é que a mais verde”. O valor e o sabor das conquistas merecem os louros e a comemoração, mas as contradições presentes na trajetória não podem ser descartadas. São fatores que servem de subsídio para atingir uma melhor participação na competição de maior importância, a Copa Libertadores da América: - Aqui, sem dúvida alguma, o verde da grama é bem mais verde. Avante, Peixe!
PS: Coluna dedicada à valorosa e fanática santista de nome Maria Cristina, Cris. Uma listeira alvinegra muito admirada pelo erudito e generoso baiano Nelson Santana para quem ela é uma “uva especial”. Oxalá, um dia, eles se encontrarem nas arquibancadas da Vila e no Bar do João; haja pastel. Longa e saudável vida, Cris!
Por Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 01h38
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“Estórias de Arquibancada e Bar”
Trato tratado – Vale o que está escrito -
1900 - Em decorrência de medidas macroeconômicas adotadas no país, Adoniran, um santista de boa linhagem, morador do Brás, viveu um autêntico pesadelo quando foi ao banco e soube que a sua conta-poupança estava bloqueada. O valor liberado para saque era mínimo, bem inferior ao saldo daquilo que ao longo de tantos anos de trabalho tivera economizado para realizar o seu casamento programado para maio, o mês seguinte. Todo um planejamento e sonho foram por água abaixo. Recorrer a empréstimos era uma alternativa quase impossível, pois todos os amigos foram pegos de calças-curtas. Enfim, a ele e a noiva somente cabia aceitarem os fatos e adiarem as núpcias. Ao sentimento de resignação somaram-se os de revolta e indignação para com aqueles que, ao pretexto do império da lei e da ordem romperam um contrato, de forma unilateral. Passadas algumas semanas, Adoniran não desistiu, pensou e resolveu pesquisar opções e alternativas para levantar uma boa grana. Deparou com o jogo do bicho: Acertar na milhar! (pensou ele). Coisa não muito fácil, mas possível sim. Após conversar com a noiva e juntos chegarem a um palpite, ainda meio desconfiado, lá foi ele consultar o cambista. – E então, esse jogo é confiável ? O idoso anotador das apostas foi enfático: - Meu rapaz, esse jogo foi criado no Brasil ainda no tempo do Império. Tempos em que os contratos eram feitos no “fio do bigode”. Tá aqui na pule, “Receba o seu prêmio em até 3 dias – Vale o que está escrito”. Como quem não arrisca não petisca e quem não aposta, não ganha, o Adoniran optou pelo risco. Cravou um bom valor na milhar e para felicidade dele e da noiva, o número veio por completo, 2344 na cabeça. Receberam, mobiliaram a casa, fizeram a festa e comprovaram: Trato tratado, trato cumprido.
1958 - É por demais conhecida e repetida a cena final da preleção feita por Vicente Feola aos craques canarinhos antes do jogo do Brasil frente à seleção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – CCCP – atual Rússia (partida em que jogaram com a camisa azul). Após detalhar as orientações táticas, Feola dirigiu-se a Garrincha e a título de simulação descreveu uma jogada em que a bola passava de pé em pé por alguns jogadores brasileiros até chegar ao craque das pernas tortas que, deslocado na ponta direita do campo, executaria o drible e cruzaria para Vavá ou Pelé completar para as redes. Alguns riram, outros ficaram perplexos quando, com total simplicidade, o craque que adorava passarinhos perguntou ao técnico: - Mas, o senhor já combinou isso com os russos?
2007/2008 – Depois de já terem tido grandes desapontamentos e problemas com o uso do aparelho de fax em períodos anteriores, os responsáveis por negociações no SFC adquiriram uma certa experiência. Zelam para que contratações e vendas somente sejam anunciadas após o entendimento final entres as partes. Tratos tratados, nos quais estejam presentes as devidas medidas burocráticas legais; afinal nos tempos modernos já não se pode acreditar mais nesse conceito de “fio de bigode”. Mas,...Primeiro foi o lateral/ala Carlinhos, envolvido num negócio de U$ 4,5 milhões com um clube russo, seria muito bom se tivesse virado fato. Depois, se deu a vez do zagueiro Marcelo, em cifras de U$ 3 milhões, também com um clube representante da ex-União Soviética, quase fechado, ficou no quase. Mais recentemente, o volante Rodrigo Souto chegou a se despedir, foi, mas voltou. Uma negociação de 6 milhões de euros, que acabou gorando devido o recuo dos russos. Quantos planos, tantos sonhos não estiveram por trás disso. Quem mais perdeu: - Os jogadores que viram frustradas as chances de fazerem um belo pé-de-meia nos gelados campos europeus? O clube que após exaustivas negociações constata que deixou de colocar em caixa expressivos valores? Além disso, vale cogitar e acompanhar se as eventuais futuras vendas desses atletas resultarão em depreciação ou maior lucro aos cofres santistas. Bem, aqueles mais inteirados a respeito do dia-a-dia da Vila poderão contestar que, em momento algum, ocorreram ofertas ou entendimentos que chegassem próximos a esses valores e que se a comercialização não foi concretizada, não foi por culpa dos dirigentes santistas. Mas como, transparência e lisura nas informações são coisas que ao juízo de alguns não devem ser praticadas, pois prejudicam interesses, ficam no ar as incomodas perguntas: - Será que agir com profissionalismo é tão difícil assim? – Será que a partir de agora, os dirigentes alvinegros ao lerem notícias sobre a venda de atletas do SFC, ao menos avisarão: - Nós ainda não combinamos nada com os russos.
PS: Coluna dedicada ao atento e lúcido alvinegro de Artur Nogueira/SP, Ernesto Franze, cuja visão dos empreendimentos esportivos é bem apurada. Mais propriamente quando envolve o apaixonante time das praias. Um cordial abraço Ernesto e Avante Peixe!
Por Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 00h13
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“Estórias de Arquibancada e Bar”
Mutatis mutandis – o SFC na vitrine
Notícias dão conta que nos próximos dias, os usuários da Linha Norte-Sul do Metrô em São Paulo ao se aproximarem da última estação ouvirão o/a condutor/condutora anunciar: - Próxima estação, Santos Futebol Clube/Jabaquara. Derivando do túnel do Metrô para o túnel do tempo, penso no trecho de um antigo samba-enredo: - Baleiro, bala gritava o menino assim. Da Central à Madureira é o refrão até o fim... Quem já utilizou as linhas de trem suburbanas no Rio de Janeiro ou em São Paulo – estações da Barra Funda, Luz, Brás até Itaquacetuba, Poá, Mogi das Cruzes - há de conhecer bem, a conduta dos passageiros e o estado de sujeira advindo dos papéis de bala, pacotes de biscoitos e guimbas/bitucas de cigarro, nas composições e nas estações. Quem viveu à época que precedeu a inauguração das linhas do Metrô, duvidava que o comportamento e o estado de coisas, nelas, seria diferente. Felizmente ao longo dos últimos trinta e seis anos (o trecho Jabaquara-Saúde foi inaugurado em 1972) o cenário nas estações e trens do Metrô é de limpeza e higiene. E, quando ocorre um grande atraso ou assaltos, a mídia dá destaque. Sinais de conduta que a meu ver comprova que o povo brasileiro é capaz de praticar padrões civilizados tanto quanto qualquer outro povo do mundo, pois o ambiente interno do Metrô paulistano caracteriza-se por bons padrões de avaliação (Que podem melhorar ainda mais). Ora, dirão os observadores mais agudos; mas, isso se deve ao fato de que no Metrô são alocados serviços de vigilância e limpeza ininterruptos e os perfis sócio-econômicos dos usuários em relação aos das linhas de trem são diferentes. Por certo, isso influi sim, mas uma análise aprofundada mostrará que, gradativamente, ampliam-se no conjunto da população, bons hábitos de educação e respeito em relação aos ambientes comuns de uso/convivência. Até porque, algumas linhas são integradas entre metrô e trem. Acrescente-se que, na prestação de serviços, sejam eles públicos ou privados, os padrões e normas de segurança, conforto e eficiência cabem, diretamente, aos organismos públicos ou àqueles que detém a concessão. Quem paga merece. O respeito ao contribuinte/cidadão deve prevalecer sempre.
Um pensar paralelo nos remete ao ambiente dos estádios de futebol, o freqüentador, seja onde for, nas capitais ou nos demais municípios do país, caso tenha um mínimo de consciência de cidadania, há de reprovar ou cobrar melhorias nos procedimentos e nos padrões hoje praticados. O torcedor brasileiro que respeita a si mesmo e cultiva atitudes que somam mais no campo da civilidade e menos no da barbárie, tem como sonho de consumo as Arenas multiuso. Algo que parece mais próximo e concreto com a tão esperada realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Noves fora, a prática da corrupção, dos proveitos e das ilicitudes previsíveis em empreendimentos dessa magnitude, trata-se de uma boa oportunidade de se elevar, ampliar e avançar qualitativamente nas relações humanas, nos equipamentos e nos serviços praticados na nossa sociedade. Por exemplo: vias de acesso, transportes, segurança e prevenção, acomodação e atendimento em hotéis, bares e restaurantes. Higiene e limpeza das ruas, praças e dos espaços em que serão construídas as imprescindíveis arenas. Sem deixar de lado, o senso crítico de que isso possa ser idealização ou sonho, vale a certeza de que, no mínimo tais iniciativas estimularão demandas para que melhorias semelhantes sejam estendidas ao restante da sociedade. Fiscalizar, orientar e contribuir para o sucesso, são ações válidas.
O repaginar da estação Jabaquara para Santos FC/Jabaquara com temática e traços alvinegro-praianos causará um impacto visual bem mais atrativo aos santistas que por lá circulam. Tal obra já é objeto de licitação e informa-se que serão “destacados” quatro grandes ídolos/ícones da história do clube para ilustrar painéis. Bem, um deles não precisa entrar em eleição alguma, faz jus à aclamação. Se instado a votar, os outros três nomes que escolherei, em ordem cronológica serão: Araken Patuska, Zito e Robinho. Cada santista que reflita, pondere e escale o seu quarteto. Acho que diante da galeria de astros que edificaram a trajetória alvinegra, se quiser ser justo, a tarefa não é tão fácil assim. Visando me antecipar a alguns dos problemas futuros encaminharei duas sugestões à Diretoria da Companhia do Metropolitano de São Paulo. Primeira - Redobrar atenção nos serviços de vigilância e limpeza da mais bonita e agradável, futura, estação de Metrô da cidade, de modo a inibir e evitar a ação de vândalos e invejosos. Segunda - Reservar um amplo espaço para receber a pintura de estrelas amarelas, talvez o corredor até a estação Conceição torne-se reduzido nas próximas décadas.
PS: Coluna dedicada a todos os grandes volantes santistas – médios, primeiros e segundos – foram eles que na árdua tarefa de conduzir a bola para o ataque e fechar caminhos aos adversários possibilitaram que o Alvinegro da Vila Belmiro atingisse mais de onze mil gols. Quem quiser que tente alcançar; se aquela Estação é a terminal, por certo a equipe SFC continuará indo adiante, bem mais além. Avante Peixe!
Por Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 23h10
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“Estórias de Arquibancada e Bar”
“Gosto não se discute; discute-se o quê?”

Jogo decisivo, na casa do adversário, o Peixe em desvantagem. Mais de trinta minutos do segundo tempo, quase setenta mil pessoas fazem ecoar um só grito, um mesmo canto. No gramado, os alvinegros não cedem, não se desesperam. Aos trinta e dois minutos, na zona bem próxima ao bico da grande área, a bola vem para os pés de Juari, pedindo: “- Me chuta, me chuta!” Ele pega de cheio, ela vai pelo alto, a força e a velocidade da gorduchinha somente perdem o impacto no estufar das redes. “Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa, aos trinta e......” que deixou calada a galera agradecida que momentos antes cantava. A partir dali foi só tocar a bola e deixar o tempo passar, pois o resultado de empate, 2x2, dava ao SFC o título de Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1997, em pleno Maracanã. Novidade? Nenhuma, o Santos ser campeão no Rio de Janeiro nada tinha de inédito. De diferente e a despertar a atenção do público, o calção negro estrelado no uniforme santista. Entre os torcedores alvinegros as opiniões se dividiam: “Que mau gosto; é feio” - sentenciava a maioria. Poucos, bem poucos, aprovavam. Mas, ao apito final do árbitro, todos comemoraram. Festa e abraços, o Peixe Campeão.
Foi de curta duração o uso do estrelado calção, vinculado às outras inovações tentadas no manto alvinegro. Informações davam conta que o ponto de partida havia sido os uniformes dos times de basquete da NBA, nos EUA. Uma jogada de marketing que não vingou. O marketing que, dizem, teve o seu “insight” na galinha, a primeira marketeira da história, que no exato momento que “lança” o produto, cacareja e alardeia para toda a vizinhança a boa nova. Estudiosos afirmam que tal atitude não provém do sentimento de dor, nem tampouco de prazer, pois a pata produz a mesmíssima coisa, em tamanho maior, e age com total discrição. É puro marketing mesmo, mas deixemos a precisa interpretação para os especialistas. Estudar o mercado, projetar o produto, planejar e avaliar as diversas etapas e pensar/repensar o melhor momento para o lançamento, são alguns pontos a considerar quando do impacto causado com a apresentação do uniforme azul pelo SFC. A justificativa se faz por meio de dois pontos básicos: a motivação pela moda predominante no futebol globalizado, onde ter um terceiro uniforme passou a ser necessário (além de se constituir em uma atraente fonte de receita). E o outro que sustenta a opção pelo azul, na própria história da fundação do clube. Aparentemente, em meio e ao largo das discussões do gostar ou não, a novidade teve um impacto positivo. O movimento das vendas e o visual da torcida santista nos estádios, no decorrer dos próximos meses, servirá de medição.
Como pano de fundo e mola propulsora para um maior consumo imediato, há que se interrogar: - E o time? Os profissionais encarregados de manter um desempenho satisfatório e fazer brilhar a vestimenta estarão à altura do projetado?? As metas e os objetivos serão cumpridos com o padrão de qualidade alvinegro praiano??? A julgar pelo comportamento dos principais dirigentes que por motivos variados, deixaram de prestigiar a cerimônia de lançamento, associando-se às infelizes declarações que ultimamente têm dado à mídia, nem eles acreditam. Mas, como afirma o poeta, o tempo se encarregará de trazer as respostas... Que os deuses da bola sejam generosos para com a nação santista. Pois, acho que a grande maioria dos alvinegros não fará qualquer objeção se, em dezembro, o capitão santista ao levantar a taça do mundial, estiver de azul ou de branco. Tradição e honra devemos carregar com a bandeira que nos ensina...Terceira camisa, terceira estrela: Avante Peixe!
PS: Texto dedicado ao experiente alvinegro Walter Camargo que traduz com lucidez, sutileza, picardia e muito bom gosto literário os movimentos de engenharia e reengenharia do cotidiano santista. Quem quiser conferir basta acompanhar o seu blog http://www.blogsantista.com.br/walter/ . Mi bueno hermano Walter, mucha salud a usted!
“Estórias de Arquibancada e Bar” - Alvinegro de Ita

Escrito por Luiz Caetano às 23h16
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"Estórias de Arquibancada e Bar”.
“Arte na vida, arte na bola ”
Quem desce a serra pela Imigrantes, pista nova, ao adentrar no terceiro túnel poderá vislumbrar uma placa: Túnel Plínio Marcos. Para a grande maioria, uma simples referência, para um “olhar” cultural não, sobretudo se apreciar o teatro e a literatura brasileira. Vale também se for um daqueles santistas que cultivam a sua cidade, o seu povo, a sua história. Filho legítimo das terras praianas, Plínio Marcos de Barros conhecia como poucos as quebradas do mundaréu da baixada. Foi a partir daquela realidade que ele edificou uma significativa carreira a ponto de se configurar num ícone da criação teatral, ao legar importantes contribuições à cultura brasileira. Barrela, Dois Perdidos Numa Noite S |